Nº 2615 - Dezembro de 2019
O império dos Habsburgos espanhóis: interesses, ameaças e respostas
Dr.
João Vacas

 

“I have been much grieved for some years past to see that, for motives of economy, expeditions are undertaken with such small forces that they principally serve to irritate our enemies, rather than to punish them. The worst of it is that wars thus become chronic, and the expense and trouble resulting from long and continued wars are endless.”

Don Martín de Padilla in Geoffrey Parker, The Grand Strategy of Philip II, p. 282.

 

“O homem que podemos compreender, é o soberano cumprindo a sua tarefa de rei, no centro, no cruzamento das incessantes notícias que tecem na sua frente, com os seus fios ligados e entrecruzados, a tela do mundo e do seu Império. (…) Na verdade, ele é a soma de todas as fraquezas, de todas as forças do seu Império, o homem dos balanços. Os seus súbditos, o duque de Alba, mais tarde Farnésio nos Países Baixos, D. João no Mediterrâneo, só observam um sector, o seu sector pessoal da grande aventura. E esta é a diferença que separa o chefe de orquestra dos seus executantes (…)”

Fernand Braudel, O Mediterrâneo e o Mundo Mediterrânico na época de Filipe II, vol. II, p. 618

 

“Éramos la fiel infantería del rey católico. Voluntarios todos en busca de fortuna o de gloria, gente de honra y también a menudo escoria de las Españas, chusma propensa al motín, que solo mostraba una disciplina de hierro, impecable, cuando estaba bajo el fuego enemigo. Impávidos y terribles hasta en la derrota, los tercios españoles, seminario de los mejores soldados que durante dos siglos había dado Europa, encarnaron la más eficaz máquina militar que nadie mandó nunca sobre un campo de batalla. Aunque en ese tiempo, acabada la era de los grandes asaltos, con la artillería imponiéndose y la guerra de Flandes convertida en lentos asedios de minas y trincheras, nuestra infantería ya no fuera la espléndida milicia en la que fiaba el gran Felipe II cundo escribió aquella famosa carta a su embajador ante el papa:

«Yo no pienso ni quiero ser señor de herejes. Y si no se puede remediar todo, como deseo, sin venir a las armas, estoy determinado a tomarlas sin que me pueda impedir mi peligro, ni la ruina de aquellos países, ni la de todos los demás que me quedan, a que no haga lo que un príncipe cristiano y temeroso de Dios debe hacer en servicio suyo.»

Y así fue, pardiez.”

Arturo Pérez-Reverte, El sol de Breda, pp. 20-21.

 

 

Introdução

Ao referir-se à China e ao novo papel que esta procura assumir internacionalmente, Wang Jisi, Professor da Universidade de Pequim, apontou três perguntas a que todas as Grandes Estratégias deveriam ter que responder: “What are the nation’s core interests? What external forces threaten them? And what can the national leadership do to safeguard them?”[1].

Independentemente de ter[2] ou não[3] assumido expressamente a sua, a estratégia da Espanha dos Habsburgos dos séculos XVI e XVII confrontou-se com as mesmas questões e procurou responder-lhes com os vastos meios de que dispunha. As causas do seu insucesso permanecem um assunto controvertido.

No centro da acção e do pensamento estratégico espanhóis estavam a preservação dos territórios europeus herdados do imperador Carlos V, a unidade da Península Ibérica, a expansão ultramarina e a afirmação da fé católica no quadro da contra-reforma então em curso e a confirmação do prestígio e primazia da monarquia hispânica. Destes, decorriam a necessidade de predomínio naval no Atlântico e no Mediterrâneo, o controlo sobre as mais importantes cidades-estado italianas, a contenção do vizinho francês e da ameaça britânica, a derrota das heresias protestantes e do islamismo (sobretudo turco).

Semelhante enunciação de interesses indicia, desde logo, a tentação hegemónica da Espanha filipina, mas, também, as dificuldades com que a sua Grande Estratégia se debateu, potenciadas não só pelo tamanho e dispersão territorial dos seus domínios, mas, também, pela distância entre estes. Deve ressaltar-se o potencial de conflito que aqueles interesses encerravam, não obstante a predisposição defensiva e reactiva afirmada por uma coroa que repetidamente declarava não ter ambições expansionistas[4].

 

Figura 1 – O Império Habsburgo na Europa (1556-1618)[5].

Enquanto procurava conservar o legado europeu dos Habsburgos, o império espanhol consolidou e expandiu simultaneamente as suas possessões no Novo Mundo que também reclamavam homens, dinheiro e armas; e, em 1580, o seu rei Filipe II cingia, enquanto Filipe I, a coroa portuguesa e passava a reinar sobre mais este vasto império que procurava reerguer-se política e militarmente após o desastre retumbante de Alcácer-Quibir. Desde esse momento, o empenhamento espanhol no Atlântico suplantou o seu interesse no Mediterrâneo[6].

 

Figura 2 – O Império de Filipe II, antes e depois da incorporação de Portugal[7].

 

O lamento de Martín de Padilla, proferido em jeito de conselho a Filipe III de Espanha, após a morte de seu pai, reflecte até que ponto o império espanhol se viu envolvido em guerras desgastantes e prolongadas. E como estas se deveram, em parte, a insuficiências económicas. Não obstante, como o próprio Padilla reconhecerá noutros escritos[8], os constrangimentos e limitações que impediram o sucesso absoluto do «império onde o sol nunca se punha» não ficaram a dever-se apenas à falta de dinheiro, radicando, também, nas respostas que aquele procurou dar às ameaças que foram surgindo.

 

I – Ameaças

I.1 – Distância, lentidão e dispersão territorial

À época, a distância e a deficiente qualidade e segurança das estradas e das rotas marítimas e fluviais tornavam as comunicações lentas, caras e erráticas.

Fernand Braudel considerou que «o combate da Espanha contra a distância é um duro combate»[9]. O «espaço, inimigo número um»,[10] colocou sob tensão permanente a capacidade de resposta da sua estrutura político-administrativa e militar, levou à condução de operações complexas, ao investimento espanhol em redes de informações e exigiu avultadas somas de dinheiro[11]. «A notícia, mercadoria de luxo, vale mais do que o que pesa em ouro»[12].

A circunstância de cada entidade política unida sob um mesmo soberano dispor de formas de auto-regulação próprias, nomeadamente, em termos orçamentais, financeiros e fiscais, e preservar os respectivos usos e costumes, ampliou as dificuldades de coerência e presteza no pensamento e acção estratégicos e na contribuição das partes para o crescente esforço colectivo. A lógica feudal através da qual eram regidas revelou-se incapaz de dar resposta às ameaças que tanto vinham dos mouriscos da Península Ibérica, como dos neerlandeses, dos ingleses, dos franceses ou dos turcos no Mediterrâneo (e, depois de 1640, dos próprios portugueses), justificando uma crescente centralização, visando a harmonização de práticas e procedimentos própria do Estado Moderno. Henry Kamen refere a este propósito que:

No centro de uma vasta monarquia, o Rei tinha a pouco invejável tarefa de tentar que todos os segmentos funcionassem em harmonia. Carlos V e os seus assessores nunca procuraram unificar os domínios do Imperador e não tinham um conceito de política centralizada. Foi Filipe quem começou a centralizar a política em Espanha (…)[13].

 

I.2 – Inimigos e Revolução Militar

Os interesses espanhóis, pela sua amplitude e ambição, concitaram um grande número de adversários e deram origem a diversos conflitos armados que se desenrolaram sob um novo paradigma bélico. Destes, destacam-se a guerra com os turcos pelo domínio do Mediterrâneo, as Guerras dos Trinta[14], Oitenta Anos[15] e Anglo-Espanhola, mas poderiam também referir-se a revolta dos mouriscos em Granada (1568-1571) ou os levantamentos secessionistas da Catalunha, de Portugal (ambos em 1640) e da Andaluzia (em 1641).

Philip Bobbitt descreve até que ponto esta “revolução militar”[16], que ocorreu a partir de meados do século XVI e que colocou as armas de fogo no centro da estratégia, contribuiu para aumentar o número de efectivos dos exércitos, os custos com a sua manutenção bem como a duração dos conflitos[17]:

The strategic innovations of ever more expensive fortress design and complex infantry fire crushed those constitutional forms that could not adapt in order to exploit those innovations (…) the discontinuous Habsburg empire of princely states that risked decisive battles in so many theatres that it was bled dry by the new, more dynamic and lethal warfare[18].

A maior “sangria” que “secou” o império hispânico e que o levou à insolvência por diversas vezes foi, precisamente, a guerra que o opôs aos protestantes neerlandeses. A obstinação espanhola na sua condução deveu-se à concepção de que qualquer retrocesso não só abalaria o prestígio da monarquia como arrastaria outros territórios para a insurreição, pondo em causa a segurança não apenas da periferia, mas do seu próprio núcleo[19]. Em obediência a essa “teoria do dominó”, havia que travar a guerra onde quer que ela surgisse, de modo a estancar as possibilidades de alastramento.

 

Figura 3 – Recursos Financeiros (1566-1576)[20].

 

Particularmente brutal e dispendiosa, a guerra dos 80 anos influiu directamente nos restantes conflitos europeus, porquanto, motivou o envolvimento francês[21] no combate à ameaça Habsburgo na sua retaguarda bem como a Inglaterra no apoio à causa protestante e na dissuasão das tentativas espanholas de reconquistar o país para a causa católica.

 

II.3 – Combate à Religião Católica e desafio à legitimidade régia

Para Paul Kennedy, devido à Reforma,

it became virtually impossible to separate the power-political from the religious strand of the political rivalries which racked the continent in this period. (…) In sum, national and dynastic rivalries had now fused with religious zeal to make men fight on where earlier they might have been inclined to compromise[22].

Tal como o seu antecessor, «Filipe levava a sério a sua responsabilidade directa perante Deus. (…)»[23]. Os monarcas espanhóis da Casa de Habsburgo, em particular estes dois, tenderam a não dissociar aquilo que consideravam ser “serviço de Deus” daquilo que seria “serviço do rei”, uma vez que este seria o seu vigário na terra. Esse entendimento, comum e corrente nesse momento histórico, contribuiu para agudizar a reacção espanhola aos levantamentos nos Países Baixos: «Nunca, em momento nenhum do reinado, [Filipe II] tolerou a rebelião. Era a mais profunda das suas convicções políticas»[24]. Como o próprio afirmou, «O pior canto para onde os príncipes podem ser empurrados é terem de fazer acordos com súbditos rebeldes»[25].

Semelhante concepção das funções terrenas e divinas do monarca, o apego à fé católica e à necessidade da sua defesa e o repúdio das heresias permeava toda a administração do império espanhol e a cultura da maioria das nações que combatiam sob o seu comando. Do lado oposto, o calvinismo iconoclasta, o anti-papismo e o desejo de auto-governo tinham o mesmo efeito: o de extremar posições, reforçar a intransigência[26] e avolumar erros decorrentes da certeza do favor divino[27].

 

III – Respostas

 

III. 1 – Centralização e concentração

Filipe II tentou criar um sistema de governo que, segundo Geoffrey Parker, se assemelharia a um “panóptico”[28], no qual apenas a pessoa no centro está em condições de ver tudo[29], mas, não obstante os seus esforços obstinados e constantes, não conseguiu pô-lo em prática de forma eficaz por tal se mostrar humanamente impossível[30]. A enorme quantidade de informação[31] directamente remetida ao rei, última instância decisória (apesar da multiplicidade de conselhos responsáveis pela condução das diversas partes do império e da estrutura burocrática que foi sendo criada), aliada à circunstância de este ser, por temperamento, meticuloso, controlador e profundamente convencido da justeza das suas posições, causou aquilo que hoje se designa por information overload: excesso de informação, impossibilidade de a processar e paralisia nas decisões devida a este afluxo e à incapacidade de as comunicar em tempo útil. Por diversas vezes, a demora ou o detalhe e rigidez das respostas produzidas por Filipe II – que não resistiu à tentação do micromanagement – deram origem a prejuízos graves para a monarquia e tornaram-na mais exposta às ameaças.

O mesmo Martín de Padilla cuidou que o problema da centralização excessiva findasse com a morte do “Rei Prudente” e que se veria «o que os espanhóis valem, agora que têm as mãos livres e já não estão sujeitos a um único cérebro, que pensava que sabia tudo o que se pode saber e tratava os outros todos como estúpidos»[32]. Revelaram-se excessivas tanto as críticas e agressividade para com o soberano defunto como a sua esperança de redenção futura.

 

III. 2 – Mobilização, logística e fundos

Para além dos soldados espanhóis, que foram sempre uma minoria de elite, os exércitos da monarquia hispânica eram maioritariamente compostos por soldados neerlandeses e alemães, mas também por borguinhões, valões, italianos, ingleses, irlandeses, mercenários tendencialmente católicos, oscilando o seu número entre os cerca de 10.000 homens, de 1567 e 1570/1, e os quase 90.000, de 1574, 1624 e 1640[33].

Geoffrey Parker, analisando o sucesso da projecção de forças espanholas na Flandres por via marítima e terrestre considera que «In retrospect, it seems remarkable that any Spanish troops ever reached the Low Countries, especially overland»[34] dada a dificuldade de progressão dos contingentes, desde o Norte de Itália até aos Países Baixos, através do chamado “Caminho Espanhol” ou da Alsácia e ao afunilamento a que estas forças, multinacionais mas relativamente coesas, eficazes e bem comandadas, foram sendo sujeitas devido à pressão francesa para impedir a sua passagem[35]. De igual modo, a Espanha procurou reforçar os seus exércitos por via marítima, mas esta alternativa sofreu particulares dificuldades ante as armadas britânica e neerlandesa nos mares do Norte da Europa e apenas assumiu o papel de principal meio de envio de tropas nos últimos anos da guerra[36].

Apesar do esforço notável de mobilização e das vitórias quase decisivas no início das guerras, a falta de homens[37] e de dinheiro para lhes pagar foi uma constante, levando ao prolongamento dos conflitos, depois do fracasso das tentativas de lhes pôr fim com rapidez, e os exércitos à amotinação e ao saque.

 

Conclusão

O império espanhol, que tinha os melhores soldados, os melhores generais, a melhor administração, empregou «o melhor das suas forças» nas «dezenas de lutas contra o espaço» e foi aquele que «melhor que qualquer outro, ter-se-á adaptado e organizado para essas tarefas obrigatórias»[38]. Mas, apesar do poder político e militar quase hegemónico de que gozava e do controlo do governo central sobre as forças no terreno[39], acabou por soçobrar devido ao seu envolvimento prolongado em demasiados conflitos, em particular num que decorreu numa zona crescentemente periférica dos seus vastos domínios[40]. Como disse Padilla: «No power exists that can maintain continuous wars, and even for the greatest monarch it is important to conclude wars rapidly»[41].

O receio da perda de prestígio e do alastramento da difusão das tentações secessionistas aliado à questão religiosa e à crença régia no mandato divino e na urgência de tudo controlar funcionou perversamente: implicou a necessidade de acorrer militarmente a quase todo o lado[42] e de tentar resolver rapidamente todos os conflitos, originando um défice permanente de tropas e de fundos. Apesar da pressão fiscal (especialmente sobre Castela), da rapidez e eficiência relativas dos serviços postais e de informações, dos recursos diplomáticos e de espionagem, da persistência dos monarcas e do seu sentido de missão, o esgotamento e derrota das forças católicas decorreu de uma opção política que hoje se afigura errónea[43]. Esta incapacidade de estabelecer prioridades e de economizar esforços motivou o fim do siglo de oro, a desagregação do império europeu dos Habsburgos espanhóis e a ascensão da França ao lugar de principal potência europeia.

 

Bibliografia

BENTHAM, Jeremy, transcrição disponível on-line em http://cartome.org/panopticon2.htm de “Panopticon or The Inspection-House” in The Panopticon Writings, Ed. Miran Bozovic, Verso, Londres, 1995.

BOBBITT, Philip, The shield of Achilles, Penguin Books, Londres, 2002.

BRAUDEL, Fernand, O Mediterrâneo e o Mundo Mediterrânico na época de Filipe II, Dom Quixote, Lisboa, 1995, vols. I e II.

KAMEN, Henry, Filipe I, Esfera dos Livros, Lisboa, 2008.

KENNEDY, Paul, The rise and Fall of the Great Powers, Fontana Press, 1989.

PARKER, Geoffrey, The Grand Strategy of Philip II, Yale University Press, Yale, 2000.

------, The Army of Flanders and the Spanish Road 1567-1659, Cambridge University Press, Cambridge, 2004.

PÉREZ-REVERTE, Arturo, El sol de Breda, Punto de Lectura, Madrid, 2006.

THEMUDO BARATA, Manuel, SEVERIANO TEIXEIRA, Nuno (dir.), Nova História Militar de Portugal, vol. 2, Círculo de Leitores, Rio de Mouro, 2004.

WANG Jisi, “China´s Search for a Grand Strategy” in Foreign Affairs, Março/Abril de 2011, vol. 90, número 2, p. 68.

Fontes das Imagens:

Figura 1: http://www.germanmilitaryhistory.com/img/upload/sdgert.jpg.

Figura 2: http://www.juanjoromero.es/blog/wp-content/uploads/mapa_imperio_felipeII.jpg.

Figura 3: PARKER, Geoffrey, The Army of Flanders and the Spanish Road 1567-1659, Cambridge University Press, Cambridge, 2004, p.119.

 


[1]    WANG Jisi, “China´s Search for a Grand Strategy” in Foreign Affairs, Março/Abril de 2011, vol. 90, número 2, p. 68.

[2]    PARKER, Geoffrey, The Grand Strategy of Philip II, Yale University Press, 2000, pp.1-10, 111-114.

[3]    Cfr. KENNEDY, PAUL, The rise and Fall of the Great Powers, Fontana Press, 1989, p. 44, BRAUDEL, Fernand, O Mediterrâneo e o Mundo Mediterrânico na época de Filipe II, Dom Quixote, Lisboa, 1995, vol. II, p. 618 e KAMEN, Henry, Filipe I, Esfera dos Livros, Lisboa, 2008, p. 329.

[4]    PARKER, Geoffrey, op. cit. pp. 4 e 6.

[5]    Fonte: http://www.germanmilitaryhistory.com/img/upload/sdgert.jpg.

[6]    BRAUDEL, Fernand, op. cit., vol. II, p. 565.

[7]    Fonte: http://www.juanjoromero.es/blog/wp-content/uploads/mapa_imperio_felipeII.jpg.

[8]    PARKER, Geoffrey, op. cit., p.281.

[9]    BRAUDEL, Fernand, O Mediterrâneo e o Mundo Mediterrânico na época de Filipe II, Dom Quixote, Lisboa, 1995, vol. I, p. 420.

[10]    Ibid., vol. I, p. 401.

[11]    Ibid., vol. I, p. 418.

[12]    Ibid., vol. I, p. 412.

[13] KAMEN, Henry, op. cit., p. 329.

[14]    1618-1648 – Conflito que opôs os reinos católicos da dinastia Habsburgo aos reinos protestantes apoiados pela França e que terminou com a Paz de Vestefália.

[15]    1568-1648 – Guerra de independência das províncias protestantes dos Países Baixos contra o domínio espanhol.

[16]    Vd. KENNEDY, PAUL, op. cit., pp. 45, 56-57, 71 e BEBIANO, Rui, “Estratégia e Táctica” e “A evolução teórica” in THEMUDO BARATA, Manuel, SEVERIANO TEIXEIRA, Nuno (dir.), Nova História Militar de Portugal, vol. 2, Círculo de Leitores, Rio de Mouro, 2004, pp. 112-142.

[17]    A este propósito, Philip Bobbit recorda que «If the innovation of fortress design had been to take a target – the fortified city – and transform it into a platform for fire, then the Spanish tercio did much the same thing for shock: it took infantry otherwise vulnerable to charges from cavalry and made them a sort of gunless prototank, invulnerable and inexorable. These slow-moving formations would crush anything in their way, unless it was another such massive square, in which case neither side would gin a decisive advantage. Battles tended therefore, like sieges, toward stalemate.», cfr. BOBBITT, Philip, The shield of Achilles, Penguin Books, London, 2002, p. 99.

[18]    Ibid., p. 101.

[19]    Cfr. PARKER, Geoffrey, The Army of Flanders and the Spanish Road 1567-1659, Cambridge University Press, Cambridge, 2004, pp. 109-110: «Spanish ministers argued that weakness in dealing with the Dutch Revolt would infallibly provoke rebellion in other Spanish outposts, especially Naples and Milan.(…) As the Low Countries’ Wars persisted and became an international confrontation, a new ‘domino theory’ gained currency: that as long as Spain could make its enemies fight in the Netherlands they could not attack Spain. ‘Flanders’ came to be seen as the punch-ball of the Spanish empire.»

[20]    Ibid., p.119.

[21]    A propósito da disputa entre Espanha e França, Fernand Braudel não deixou de relevar uma circunstância habitualmente menos destacada que o “cerco” Habsburgo à França: o de esta ser um obstáculo encravado no centro do império espanhol, um verdadeiro embaraço à mobilidade das suas forças. «se o seu Império a ameaça de fora, ela [a França] ameaça-o de dentro e, dos dois perigos, qual será o maior?», obrigando os espanhóis a envolverem-se nos seus assuntos internos e a procurarem formas de contornar o seu território. Cfr. BRAUDEL, Fernand, op.cit.,vol. I, p. 418.

[22]    KENNEDY, PAUL, op. cit., p. 43.

[23]    KAMEN, Henry, op. cit., p. 316.

[24]    Ibid., 318.

[25]    Ibid., 173.

[26]    Para Geofrey Parker, «Philip’s unqualified commitment to advancing the Catholic cause deprived him of potential allies and made him unnecessary enemies.», cfr. PARKER, Geoffrey, The Grand Strategy of Philip II, p.113.

[27]    Cfr. Ibidem, p. 105: «Philip’s brand of messianic imperialism led to the error of adopting unrealistic policies, doing everything humanly possible to put them into effect and then relying on divine intercession to ‘bridge the gap’»,

[28]    Terá sido Jeremy Bentham a cunhar esta expressão e a aplicá-la a um seu projecto de prisão. Cfr. versão on-line de “Panopticon or The Inspection-House” in The Panopticon Writings: http://cartome.org/panopticon2.htm.

[29]    PARKER, Geoffrey, The Grand Strategy of Philip II, p. 37.

[30]    Para Henry Kamen, «Nunca, em momento nenhum, Filipe teve o controlo adequado dos acontecimentos ou dos seus reinos, ou sequer do seu próprio destino. (…) Condenado a passar os seus dias a despachar trabalho da vasta rede da monarquia, contava-se entre os poucos que tinham acesso a uma ampla perspectiva dos problemas dela. Porém, não conseguiu transformar essa perspectiva numa visão que inspirasse o seu povo.» cfr. KAMEN, Henry, op. cit., pp.441-442.

[31]    Cfr. BRAUDEL, Fernand, op.cit., vol. II, p. 37: «A imobilidade de Filipe II favorece o peso de uma administração sedentária cujas bagagens já não são aligeiradas pelas necessidades das viagens. A vaga de papel corre mais abundante que nunca.».

[32]    KAMEN, Henry, op. cit., pp.437-438.

[33]    PARKER, Geoffrey, The Army of Flanders and the Spanish Road 1567-1659, p.24-27.

[34]    Ibid., p.70.

[35]    Cfr. Ibid., p.41:.«Habsburg Spain thus managed to overcome most of the technical problems associated with mobilizing and equipping a large army to serve abroad. (…) But the system revolved around the ability of troops raised in one area to go and fight in another. The vital question was therefore whether the foreign troops who were to form the nucleus and elite of the Army could reach the Netherlands in large numbers. The defence of the Spanish Netherlands depended on maintaining itineraries along which units recruited in Germany, Italy, Spain, England and Ireland could reach the Low Countries safely and swiftly.»

[36]    Ibid., p. 51.

[37]    A expressão espanhola poner una pica en Flandes, significando uma empresa difícil ou mesmo impossível, encontra paralelo na portuguesa meter uma lança em África. Ambas denotam até que ponto os povos peninsulares ainda recordam colectivamente a experiência da permanente insuficiência de meios para fazer face aos desafios que se lhes foram colocando ao longo da sua história e em que territórios sob seu domínio ou influência estas carências mais se fizeram notar.

[38]    BRAUDEL, Fernand, op.cit., vol. I, p. 418.

[39]    «(…) throughout the war, the Spanish Court determined the policies and the resources to be deployed to suppress the Dutch Revolt. This in turn permitted the development of a ‘Grand Strategy’ according to which the central government could balance the need to fight in the Netherlands against pressures to act elsewhere». Cfr. PARKER, Geoffrey, The Army of Flanders and the Spanish Road 1567-1659, p. 105.

[40]    Uma vez que, após a União Real com Portugal, a opção atlântica passou a ser ainda mais vincada face à redução de importância estratégica do Mediterrâneo e da Europa do Norte.

[41]    PARKER, Geoffrey, The Grand Strategy of Philip II, p.282.

[42]    O duque de Sessa dirá:«We flit so rapidly from one area to another, without making a major effort in one and then, when that is finished, in another… I do not know why we eat so many snacks but never a real meal!». Cfr. Ibid., p.282.

[43]    No entender de Geoffrey Parker «[Philip] had repeatedly broken one of the cardinal rules of Grand Strategy: that, usually, ‘less is more’. Although each major state must maintain a substantial military force to protect its strategic interests in key areas, peripheral challenges are best met through non military means.». Cfr. Ibid., 177.

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Dr.

João Vacas

Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (FD-UL), Pós-Graduado em Ciências Políticas e Internacionais (FD-UL), Pós-Graduado em Ciência Política e Relações Internacionais pelo Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa (IEP-UCP), Aluno de Doutoramento em Ciência Política (IEP-UCP), Assistente Parlamentar - Assessor Político e Jurídico de um Deputado ao Parlamento Europeu.

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by CMG Armando Dias Correia