IN MEMORIAM

Major-general Manuel Alberto Simões Rios
(8 de outubro de 1934 – 8 de outubro de 2025)
O Major-general (oriundo do Serviço de Administração Militar do Exército), na Situação de Reforma (91 anos), Simões Rios deixou o nosso convívio em oito de outubro do ano corrente.
Nasceu em 8 de outubro de 1934, na freguesia de Olivais, concelho de Lisboa/1.º Bairro, filho de Adelino Rios e de Maria Amália Simões. Em 22 de outubro de 1959, casou com Maria Celina do Rosário e Silva Leal Rios, tendo tido dois filhos: Manuel Alberto da Silva Leal Rios (4 de novembro de 1963) e Miguel Nuno da Silva Leal Rios (28 de novembro de 1965).
Ingressou na Escola do Exército (Academia Militar) em 26 de novembro de 1953, tendo sido promovido a: Alferes (1 de abril de 1956); Tenente (1 de abril de 1958); Capitão (30 de junho de 1961); Major graduado (11 de julho de 1972); Major (20 de novembro de 1974); Tenente-coronel (31 de dezembro de 1976); Coronel (12 de março de 1982) e Brigadeiro/Major-general (24 de novembro de 1982). A passagem à Situação de Reserva ocorreu em 31 de março de 1994 e à Situação de Reforma em 31 de março de 1999.
No Ultramar prestou serviço em Angola, 1961/1965 – Capitão (três louvores); Moçambique, 1967/1969 – Capitão (dois louvores); Timor-Leste, 1973/1975 – Major (um louvor).
Sócio Efetivo, número 220, da Empresa da Revista Militar, eleito em 17 de dezembro de 1979 (Tenente-coronel/45 anos), tendo sido Vogal do Conselho Fiscal (1983/1990) e Presidente do Conselho Fiscal (1991/2005). Em Revistas de 1980 e 1981 participou com três artigos, “Administração por sistemas no comando e controlo de operações” (1980), “A gestão no Exército” (1981) e “Subsídios para a reorganização operacional do Serviço de Intendência” (1981). Com ajuda da Inteligência Artificial fica a saber-se a importância da Revista em 1980. “A ‘Revista Militar’ é uma publicação histórica que, em 1980, continuou a operar com publicações dedicadas à defesa nacional e às Forças Armadas, em colaboração com instituições de investigação e outras organizações. O periódico abrangeu encontros científicos, ações de defesa e publicações para leitores interessados em história e investigação científica, como historiadores e cientistas. Conteúdo: Em 1980, a revista continuou a cobrir tópicos relacionados com a defesa nacional e as Forças Armadas, incluindo encontros científicos e ações relevantes. Colaboração: A publicação trabalhou em cooperação com centros de investigação universitários e outras instituições públicas, culturais e científicas. Público-alvo: A «Revista Militar» dirigiu-se a leitores interessados, como historiadores e investigadores científicos”. Esta observação tem a ver com as datas dos artigos da autoria do, na altura, Tenente-coronel Simões Rios, que por certo contribuíram para, em 1981, ter sido agraciado com o Prémio Colaboração “Coronel Alberto David Branquinho” (criado na Empresa da Revista Militar em 1933 – Número de set/out). “Prémio anual a atribuir ao artigo versando um assunto sobre Administração Militar (tático, técnico, orgânico, etc)”.
Os 23 louvores recebidos, de Capitão a Major-general, merecem ser todos lidos, saboreados, pela excecionalidade da ocasião, texto e graduação do Oficial que louva. Em alguns, salienta-se, “sendo possuidor de apreciáveis conhecimentos de eletromecânica”, que lhe permitem obter sucesso em tarefas prioritárias difíceis de cumprir. Quanto a condecorações, foram-lhe concedidas onze: Grau de Cavaleiro da Ordem Militar de Avis; duas Medalhas de Serviços Distintos (prata/1985 e 1990); duas Medalhas de Mérito Militar (3.ª e 2.ª classes); duas Medalhas de Comportamento Exemplar (prata e ouro); Medalha de Dom Afonso Henriques, Patrono do Exército (2.ª classe/1987) e três Medalhas Comemorativas das Comissões de Serviço no Ultramar: Angola (1961/1965 – Capitão); Moçambique (1967/1969 – Capitão); e Timor-Leste (1973/1975 – Major).
Para além dos cursos normais ligados à carreira militar dum Oficial-general do Exército, o Major-general Simões Rios obteve formação académica, salientando-se: 2.º ano do curso de contabilistas do Instituto Profissional dos Pupilos do Exército; Curso de Administração Militar, EPAM/1956; Curso de Métodos de Instrução/1959; Curso de Military Comptrollership, nos EUA/1976; Estágio de refrigeração, em Paris/1976; Curso Superior de Comando e Direção, no IAEM/1985-1986 e Estágio Inter-forças, no IDN/1986.
Como se confirmou na proclamação que o filho, Manuel Leal Rios, fez no espaço temporal da homilia, na Missa de Corpo Presente, realizada no Centro Funerário Basílica da Estrela (Capela Mortuária), em 12 de outubro/domingo – 10h00. O Major-general Simões Rios, como militar, mostrou sempre disponibilidade; elevada capacidade de organização; e exemplar competência no dinâmico mundo técnico do Serviço de Administração Militar do Exército, como se demonstra no conjunto de louvores.
O seu currículo e a totalidade do texto em que se baseou o filho Manuel para intervir na Missa, ainda permitem salientar a excelência do Envolvimento Familiar e o seu forte sentido de Aprendizagem ao longo de toda a vida. Nesta sequência salientam-se alguns parágrafos do texto:
“Não pretendo falar da sua carreira profissional como Militar do Exército Português na qual soube bem servir e honrar o país, pois, por certo, os seus antigos camaradas de armas o farão com mais propriedade do que eu”. “Não posso, igualmente, deixar de fazer referência ao seu percurso nos Pupilos do Exército, por onde se iniciou a sua carreira, e de cujas boas memórias nos fez sempre referências”. “Contudo, foi graças à sua carreira militar que ao me ter permitido passar por várias geografias, como Angola, Moçambique e Timor, levou-me a que eu hoje trabalhe nesses países, tenha, inclusive, adquirido a nacionalidade Angolana, e, mais de que tudo, tenha o enorme prazer de, ainda hoje, ouvir falar de si em Timor-Leste, como alguém de que as pessoas recordam com consideração e deferência. É um orgulho que nos enche o coração.” (…). Os três parágrafos estavam seguidos, mas mais três ajudam a admitir existência de espiritualidade no Ambiente Familiar do nosso Major-general Simões Rios: “Gostaria, igualmente, de deixar uma palavra de agradecimento muito especial, da nossa Família às duas pessoas que nestes últimos três anos cuidaram do nosso pai, à semelhança do que já haviam feito com a Mãe, as Rodica 1 e 2, como carinhosamente lhes chamávamos, Foram muitos anos de companhia que jamais esqueceremos.” (…). Vais-me fazer falta, nos meus e teus silêncios, mas acredito que nos momentos de dúvida, irei ouvir uma palavra tua, (mesmo no silêncio), como acredito que também oiço da Mãe.” (…). Até sempre Querido Pai!”.
O Major-general Manuel Alberto Simões Rios deixa saudades e reconhecimento na Empresa da Revista Militar que apresenta à Família enlutada, e aos seus amigos, sentido pesar pelo seu falecimento.
Coronel António de Oliveira Pena
Sócio Efetivo da Revista Militar
